Dramaturgia sonora: som e música como
elementos de sintaxe da encenação no teatro.
Martin
Eikmeier
Texto originalmente publicado originalmente na Revista Alberto no 1.
O lugar comum da música e do som no
teatro
Com frequência,
quando se faz algum juízo sobre a contribuição de uma música ou de um som em
uma peça teatral, nos deparamos com os
conceitos de atmosfera e clima. Ou ainda com a ideia de que a música pode
pontuar uma cena. Mas o que significa, de fato, construir uma atmosfera ou um
clima? Raramente estas palavras são acompanhadas de um predicado que qualifique
a afirmação. Que mostre mais precisamente a natureza desta interferência no
complexo de signos que compõe a representação de uma história no palco. E
quando se diz que uma música atua como elemento que pontua a cena, que
significado está contido no termo? Se pontuar quer dizer sublinhar ou
enfatizar, o que está exatamente sendo sublinhado ou enfatizado. E quais
características de uma determinada música ou de um som estariam permitindo a
realização deste expediente?
Bastam apenas
algumas poucas perguntas para percebermos que este vocabulário genérico,
recorrente em críticas teatrais e em conversações sobre o tema, pouco tem a
dizer sobre o papel concreto desempenhado por um discurso musical e sonoro no
teatro. Esta reflexão restrita tende a resultar em uma prática irrefletida, que
incorpora de forma inercial e privilegiada os modelos mais dominantes;
derivados do repertório audiovisual, sobretudo da televisão e do cinema
comercial.
Nesses casos, o
cenário mais comum é aquele no qual compositores e sonoplastas atuam apenas no
último estágio de criação. Ainda que seja possível nessa etapa apostar em
construções mais substanciais da música e dos sons, mesmo com as cenas já
prontas, a natureza mercantil desses meios[1] impede qualquer
atitude experimental. Ou seja, não se trata apenas dos limites criados pelo
fato do profissional de som e música lidar com uma história que já está montada e coerentemente
narrada com os recursos da fala, da atuação e aqueles específicos da linguagem
audiovisual, mas sim da lógica industrial que aliena estas diferentes etapas. Para
a indústria a produção deve ser feita em massa e em série. Para tanto, é
necessário que seja padronizada e racionalizada segundo um modelo de
eficiência. Adota-se a divisão técnica do trabalho: o processo é composto por etapas
realizadas separadamente inibindo os profissionais de conhecê-lo por inteiro.
Como resultado, resta-lhes incorporar irrefletidamente os padrões consolidados,
conservando a obra de arte em formas engessadas que limitam por sua vez o
interesse por novos conteúdos.
Sendo assim,
música e som acabam sendo incorporados de forma marginal, mas ao mesmo tempo e
contraditoriamente como algo a que não se pode recusar. Para superar esta
condição, o componente musical e sonoro deve ser planejado durante a encenação,
ainda que sua realização definitiva seja feita posteriormente. Portanto, como
parte daquilo a que Jean Pierre Sarrazac[2] chama de
“reescritura” do texto pelo encenador e que aqui chamaremos de dramaturgia sonora e dramaturgia musical.
Relações de trabalho no teatro
Em seu texto Realismo e encenação moderna: O trabalho de
André Antoine, Sarrazac celebra o fato do diretor francês acrescentar ao
texto dramatúrgico um conjunto de gestos, de significados contidos no cenário e
na iluminação que atuam como uma segunda voz, voz que reescreve o texto. Para
tanto, não bastaria acionar estes elementos em uma etapa posterior à correta
marcação dos atores no palco. Caberia ao encenador se apropriar do cenário, da
luz e dos gestos. Experimentar na sala de ensaio, ao longo da montagem, a
possibilidade de empregá-los em cena como elementos narrativos. O autor lembra
que há nesta postura do encenador moderno certa tentativa de traduzir no teatro
os avanços conquistados pela literatura: a descrição minuciosa, a argumentação
do narrador, por vezes descolada da fábula e da ação. Expedientes que permitiriam ao leitor interrogar a natureza do mundo representado. Para que música e sons
sejam incorporados seguindo essa mesma lógica,
ou seja, que possam atuar como elementos que reescrevem o texto, lançando sobre
a cena uma voz narrativa, é necessário em primeiro lugar que se repense a
maneira pela qual músicos e sonoplastas são inseridos no processo de produção
de uma peça.
Para ilustrar a
questão, tomo como exemplo a produção musical do período mudo do cinema, em que
o som ainda não era sincronizado ao aparato e a trilha sonora era realizada ao
vivo por profissionais contratados pelas salas de exibição. Mesmo que sua
realização estivesse condicionada, na maior parte dos casos, a uma etapa
posterior à construção narrativa, a falta de padronização e o caráter artesanal
abria caminho para inúmeras possibilidades de experimentação formal. No
entanto, esta situação contrariava a essência do cinema, que como já ressaltei,
é industrial, pressupõe a cópia e a produção em série. Sendo assim, na
tentativa de uniformizar o repertório executado pelos músicos, e evitar
arbitrariedades que pudessem contrariar a natureza de seu negócio, a indústria,
em um esforço conjunto com os editores de partituras, passou a publicar as
antologias musicais. Eram livros que organizavam uma série de temas derivados
do repertório erudito, da música de salão, bem como do vaudeville. Os temas
eram separados em um índice por categorias que contemplavam uma ideia geral da
cena, da ação ou do lugar no qual a ação se passaria: música para perseguição,
música misteriosa para assalto, música para duelo, música para cena de morte,
música oriental, música indígena. Os mais conhecidos foram o Sam Fox Moving Picture Music, o Kinothek e o Motion Picture music for pianists and organists. Quando os filmes eram distribuídos, os
produtores enviavam uma planilha especificando o momento no filme e o tema que
o intérprete na sala de exibição deveria executar, ou sobrepor às cenas.
É compreensível
que tanto no cinema, como na televisão certa essência dessa lógica contida nas
antologias ainda sobreviva. Muitas vezes, sobretudo na televisão, o compositor
trabalha inclusive sem ver as cenas. Conhece apenas uma ideia geral do conteúdo
da trama e recebe instruções genéricas, equivalentes às categorias presentes
nas antologias. A trilha sonora trabalha para uma cena pronta, já constituída.
E o músico é constrangido a repetir os padrões considerados mais eficientes, e
que acabam perdurando por décadas. O resultado é justamente aquele que
posteriormente é genericamente considerado como atmosfera, clima ou ênfase.
No teatro, arte
que ainda se coloca de forma aberta à produção artesanal e experimental, o
cenário não é muito distinto deste. Tomo como referência o teatro paulista que
é aquele com o qual mais tenho contato e do qual poderíamos certamente separar
algumas importantes exceções que renderiam por si mesmas um trabalho de análise a parte. Não é o caso, neste texto, de julgarmos
os motivos que levam a essa condição. Mas é útil pensarmos outras formas de
abordar a música e o som na cena teatral, já que o teatro ainda abriga, mais do
que qualquer forma narrativa que faz uso de música e sons, a possibilidade de
se experimentar outras formas de relação de trabalho.
Música e representação
Quando a música
entra em cena e abandona seu caráter autônomo, seu descompromisso com algo que
lhe é externo, devemos logo de início encarar uma pergunta elementar: é
possível uma música construir significado? Esta pergunta moveu calorosos
debates entre artistas, compositores e teóricos. Em A necessidade da arte[3],
Ernst Fischer compila algumas declarações que defendem a ideia de que a música
pode ser ouvida e apreciada apenas pela sua forma e “pelo seu efeito como som” (Stravinsky). Ou ainda, que a música
quando expressa algo, o faz de forma abstrata, sem particularização e que não
tem, portanto, a capacidade de denotar o elemento específico que motiva um
sentimento ou uma emoção (Schopenhauer). O autor rebate valendo-se de dois
exemplos do repertório de Beethoven. Explica que a lamentação da marcha fúnebre
da Sinfonia No 3 (Heroica), não pode ser compreendida de forma abstrata, pois
correria o risco de ser confundida com a lamentação de um homem que perdeu um
ente querido, por exemplo. Para o autor, esta música está longe de representar
um sentimento individualizado dessa natureza. Ela deve, todavia, ser
compreendida como um lamento carregado de sentimento heroico e emoção
revolucionária, um lamento das massas. Do mesmo modo como a explosão de alegria
do movimento coral da Sinfonia No 9 não lida com um sentimento abstrato. Não se
presta a expressar a alegria de um camponês que comemora uma colheita bem
sucedida, mas sim uma alegria de um coletivo diante da superação de profundas
contradições. “No caso de Beethoven, a vida interior se realizou em íntima
ligação com a maneira específica e definida pela qual o compositor reagiu ante
o seu tempo. A vida interior pertence ao mundo real, no qual não existe alegria
ou tristeza in abstracto: só existem alegrias e tristezas motivadas, produzidas
por causas particulares.”
Ersnt Fischer
acerta em cheio em sua análise, mas tomarei a liberdade de completar o
raciocínio do autor (tarefa que ele mesmo sugere no texto). De fato, seria
impróprio atribuir ao coro da sinfonia No 9 uma exaltação subjetiva e
individualizada. Com efeito, a escolha feita por Beethoven de evoluir a melodia
a partir do solo de um contrabaixo, para um tutti
da orquestra e do coro, garante essa qualiadade. Vale lembrar que o recurso do
coro para representar o coletivo para além do conflito individual, a pólis, é
empregado desde a tragédia grega. Diante de um exemplo como este fica difícil
recusar o fato de que a música abriga certas conotações já institucionalizadas
pela tradição. Umberto Eco em A estrutura
ausente[4]
defende esse ponto de vista e cita como exemplo as marchas militares, a música
pastoral e a música nos filmes de suspense (thrilling).
No entanto, o componente especificamente revolucionário, ou denotativo da
sinfonia No 9 – um povo que teria superado grandes contradições – depende no
mínimo da compreensão do texto de Schiller. Além disso, localizar esta música
em uma revolução específica, como a francesa, depende também de contextualização
histórica. É da relação com estes componentes que é constituída a alegria
particular sugerida por Fischer. Para que seja possível derivar um sentido
referencial e objetivo de um discurso musical é preciso construir relações,
abastecer a música de um conteúdo exterior.
Parte-se do
pressuposto mais do que conhecido de que o teatro é o lugar da representação e
que toda representação depende de signos. Ou seja, de elementos que se colocam
no lugar das coisas em si. “Signo é tudo aquilo que se coloca no lugar de outra
coisa”[5], afirma Umberto
Eco; e “o signo é matéria de todas as artes”[6], afirma Roman Jacobson. Mas, para que
um signo possa representar algo que lhe é externo, ele deve associar-se com o elemento exterior. É necessário que essa associação faça parte de nosso repertório, que
sejamos capazes de nos depararmos com o signo e substituí-lo pelo referente de
forma automática como acontece com uma língua nativa (fonemas substituem coisas
e ideias). O repertório do qual depende qualquer possibilidade de associação e
significação pode ser aquele que adquirimos por conhecimento intuitivo,
sensível (a tradição) ou formalmente, mas, no caso do teatro, pode ainda ser
construído ao longo da própria encenação como veremos a seguir.
Ao referir-se a
sistemas denotativos de significação musical, capazes, portanto, de desempenhar
este expediente, Umberto Eco lembra dos sinais musicais executados pela corneta
nas manobras militares. A tropa reage com uniformidade ao instrumento, na
medida em que todos os integrantes compartilham do comando atribuído a cada
melodia. Aos soldados é ensinada uma nova linguagem cujo significante não é de
ordem verbal ou imagética, mas musical.
No século XIX
Richard Wagner consolida uma prática dotada de um princípio semelhante: o
leitmotiv, ou motivo condutor. O leitmotiv consiste na associação de um tema
musical a um personagem, objeto, a uma ideia ou a uma ação. Por meio da
repetição desta relação a música adquire autonomia e é capacitada a substituir
o conteúdo com o qual se associou. Há neste procedimento o que poderíamos
chamar de pedagogia da escuta: somos ensinados a ouvir uma música e
atribuir-lhe o sentido objetivo, desejado pelo compositor e pelo dramaturgo. A
apreensibilidade da mensagem contida no discurso musical depende da eficácia
com a qual a relação é construída.
Não podemos,
contudo, descartar o fato de que uma música carrega consigo valores acumulados
historicamente pela afinidade que ela estabeleceu com conteúdos determinados.
Com maior ou menor grau de definição, estes valores certamente contaminam a
associação desta música a um componente narrativo. Ou seja, ao escutarmos, por
exemplo, uma melodia modal executada em latim por um solista masculino no
palco, recuperamos todo o sentido que esse tipo
de música agregou na liturgia medieval. A escuta que endereçamos a essa música
recupera esses valores que em alguns casos podem ter mais relevância que a mais
eficiente e didática das associações possíveis. Além disso, a escuta em si é
constantemente renovada na história: os sons eletrônicos de Stockhausen,
ouvidos pela primeira vez na década de 50, não seriam recebidos hoje da mesma
maneira. Com efeito, não é qualquer melodia, ou qualquer escolha de
instrumentação que se presta a construir e substituir em cena um personagem
como Fausto, por exemplo. Desta maneira, valer-se da potência do conteúdo
conotativo contido em uma música pode ser uma aposta proveitosa se feita de
forma consciente, se forem levados em conta todos os fatores que compõe a nossa
percepção desse discurso musical.
Sons do cotidiano como elementos
simbólicos
Princípio
semelhante pode ser adotado para administrar os sons cotidianos (não
organizados como música) em cena. A primeira tarefa que se delega a um som em
cena é a de assumir o papel de índice. Para a linguística, um índice é um signo
que representa seu referente a partir de alguma ligação concreta com o mesmo: é
por meio do vestígio deixado por este elemento que ele é represento por
completo. Assim, a fumaça substitui o fogo, o chão molhado a chuva e assim por
diante. Os sons que ouvimos no cotidiano têm, portanto, uma disposição natural
em serem empregados como índice em uma encenação, pois podem representar a
presença de um elemento na cena sem que este precise ser visualizado, indicado
ou mencionado. No entanto, tal como a música, um som pode ser abastecido de um
conteúdo externo passando a atuar como um componente simbólico, recurso que
amplia as possibilidades de seu emprego no palco.
Recentemente, na
SP Escola de Teatro, os aprendizes receberam a tarefa de estudar o texto A Gaivota de Tchekhov e montar uma cena
que incorporasse os princípios do realismo, tal como estavam sendo debatidos ao
longo do semestre. Em um dos trabalhos foi apresentada uma versão da cena em
que Treplev comete suicídio. Diferente da versão original, optou-se por mostrar
o momento em que o personagem acumula a energia necessária para tomar a decisão
de tirar a própria vida. Sem dúvida alguma, este é um grande desafio de
encenação, tendo em vista que o conteúdo da ação é basicamente interno. Devemos
tomar conhecimento do sentimento que se apodera do personagem e que o leva à
conclusão do suicídio. Como representar uma situação dessa natureza? Esperar
que o ator lance mão de comportamentos externos, que denotem o movimento
progressivo de sua ação interna em direção ao recurso inesperado, pode vir a
ser uma grande armadilha. Há uma tendência, nesses casos, de fazer um uso
afetado de recursos de atuação (respiração ofegante, olhos arregalados) que
facilitam na tarefa de comunicar o estado do personagem, pois são extremamente
reconhecíveis. Mas, generalizações dessa ordem, que demonstram um nervosismo
qualquer, não respondem à pergunta sobre como este personagem em específico se
comportaria sob tal circunstância.
Os aprendizes
foram felizmente um pouco mais longe. Não apostaram apenas no ator e na sua
interpretação do sentimento do personagem. Conceberam uma paisagem sonora que
vai sendo amplificada na medida em que o tiro se aproxima. Ao longo da curta
cena, os sons, que até então apenas informavam (indiciavam) a característica
campestre daquele arredor (grilos, latidos de cachorros e etc..), passavam a
narrar a progressão interna dos sentimentos que tomam conta de Treplev em
direção ao suicídio. Os sons da propriedade, lugar que simboliza o
aprisionamento de Treplev, sua incapacidade de se tornar um escritor de
sucesso, de superar a dependência da mãe, foram reorganizados: atingiam
paulatinamente uma histeria sonora que correspondia ao acúmulo interno
experimentado pelo personagem. Abandonou-se, assim, qualquer compromisso com
uma objetividade realista. Contudo, a motivação que o leva ao suicídio, narrada
naquele momento pela construção sonora é inteiramente real.
A realização não
alcançou a sofisticação da ideia, mas o que interessava ali era o conceito. Os
aprendizes entenderam que em uma encenação realista não é necessário construir
uma cópia concreta do mundo real, trata-se de representação. E a representação,
como afirma Anatol Rosenfeld é realizada por meio de “(...) concentração, seleção,
densidade e estilização de um contexto
imaginário que reúne os fios esfarrapados da realidade num padrão firme e
consistente.”[7]
Basta portanto, que se construa um conteúdo realista, mesmo que o expediente
utilizado não o seja. Neste caso a ação interna do personagem foi construída
por elementos externos ao ator, permitindo inclusive que ele abrisse mão de
demonstrar na atuação qualquer acúmulo de nervosismo.
Como nos lembra
Sarrazac, estes recursos narrativos que no teatro reúnem luz, cenário, som e música,
tem sua matriz na literatura. Logo, é importante ficarmos atento às lições que
podemos tirar dos romances. Estudar a maneira pela qual autores, notabilizados
por sua engenhosidade neste sentido, constroem a vida interior de seus
personagens, ou descrevem o mundo que os cercam provocando o leitor a
interrogar sua lógica. Termino com uma dica que atende a um estudo desta
natureza. No livro O sentido do filme,
Eisenstein compila uma série de exemplos da poesia e da literatura, com a
intenção de mostrar uma equivalente possibilidade de encenação audiovisual.
Apesar do texto estar endereçado ao cinema, vale pelo raciocínio que ele
estimula.
Martin Eikmeier é
doutor em música de cinema pela Unicamp; compositor e diretor musical da
Companhia do Latão; formador da SP Escola de Teatro e da Academia Internacional
de Cinema.
[1]
Interesses comerciais, tais como a capacidade de circulação da arte como
mercadoria pautam e superam qualquer outro tipo de orientação.
[2] Sarrazac, Jean Pierre. Realismo e encenação moderna: O trabalho de
André Antoine. In: Carvalho, Sergio de. O
Teatro e a Cidade. São Paulo: Prefeitura do município de São Paulo, 2001. Pg. 121.
[3] Fischer, Ernst. A necessidade da arte. Rio de Janeiro:
Zahar editors, 1983, p. 205
[4]
Eco, Umberto. A Estrutura Ausente.
São Paulo: Perspectiva, 2001, p.400, 401
[5]
Eco, Umberto. Apud NÖTH, Winfried. A semiótica no
século XX. São Paulo: Annablume, 1999. Pg. 169
[6] Jakobson, Roman. Lingüistica, Poética, Cinema. São Paulo:
Editora Perspectiva, 1970, p.154
[7]
Rosenfeld, Anatol. Texto/Contexto I.
São Paulo: Perspectiva, 2009. Pg.
30.
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